terça-feira, 26 de abril de 2016

Celibato na Igreja Católica tem se mostrado um desastre também no Pará



Três meses após ser afastado da Igreja - sob suspeita de ter engravidado três fiéis -, o padre mais famoso e carismático de Belém reapareceu em fotos românticas, com direito a beijo na boca e buquê de flores. O novo episódio envolvendo o padre Geffison veio à tona na noite desta segunda-feira (25), quando três fotos do religioso ao lado de uma mulher surgiram num grupo de WhatsApp. A Basílica de Nazaré, onde Geffison trabalhava, não negou e nem confirmou que o padre tenha largado a batina.

Será que a igreja perderá um excelente padre por causa de seu dogma? Perderá por amar uma mulher?

O celibato sacerdotal na Igreja Católica foi instituído no ano 451 no  concilio de Calcedônia, onde se proibiu o casamento de monges e virgens consagradas (XVI cânon), impondo por isso o celibato ao clero regular.  — portanto, a Igreja viveu quase quatro séculos sem ele.

Como diria Padre Vieira, “pelo costume, quase se não sente”. Adiante: o celibato é matéria apenas de interpretação, nada mais.

Quando se ler a Bíblia é claro observar que São Pedro tinha sogra. Sei que é obviamente claro e lógico, mas é de supor que tinha ou teve uma mulher: “E Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste acamada, e com febre. E tocou-lhe na mäo, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os”. Está em Mateus, 8:14-15.

Na Primeira Epístola a Timóteo, ninguém menos que São Paulo recomenda:
“Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar. Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento” (I Tim, 3:1-3).

Os defensores radicais do celibato pretendem dar a estas palavras um sentido diverso. Desculpem. Trata-se de forçar a barra. Na sequência, São Paulo não deixa a menor dúvida: “Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia. Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?)” (I Tim, 3:4-5). Não quero ser ligeiro. Sei bem que há outras passagens que endossam o celibato. Mas fica claro que se trata de uma questão de escolha, sim, não de fundamento; trata-se de uma questão puramente histórica, não de revelação.

O celibato pode ter sido útil em tempos bem mais difíceis da Igreja. A dedicação exclusiva à vida eclesiástica pode ter feito um grande bem à instituição. Mas é evidente que se tornou um malefício, um perigo mesmo, fonte permanente de desmoralização. A razão é mais do que óbvia. A maioria dos padres, é possível, vive o celibato e leva a sério o seu compromisso.
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