terça-feira, 5 de março de 2019

QUEM DISSE QUE O CARNAVAL É BRASILEIRO?





Ao pensarmos sobre o Carnaval, temos o hábito de considerá-lo como uma típica festa brasileira. Porém o carnaval não é uma festa brasileira. Remontando pesquisas históricas que chegam até a Antiguidade Clássica, temos informações que os festejos de carnaval passaram por muitas transformações e se fez presente em diferentes culturas do mundo. Até chegarmos ao Carnaval dos padrões hoje conhecidos, diferentes tipos de festa ocorreram com o mesmo nome.

O carnaval é originário da Roma Antiga e, incorporado pelas tradições do cristianismo, passou a marcar um período de festividades que aconteciam entre o Dia de Reis e a quarta-feira anterior à Quaresma.

O termo da palavra Carnaval vem de da expressão latina: carnem levare, que significa “retirar ou ficar livre da carne”. Isso porque, já na Idade Média, essas velhas festividades pagãs foram incorporadas pela Igreja Católica, passando a marcar os últimos dias de “liberdade” antes das restrições impostas pela quaresma.

É provável que as mais importantes festas ancestrais do Carnaval tenham sido as “saturnais”, realizadas na Roma antiga em exaltação a Saturno, deus da agricultura. Na época dessa celebração, as escolas fechavam, os escravos eram soltos e os romanos dançavam pelas ruas.
Na tradição greco-romana havia os chamados bacanais, festas que homenageavam o deus do vinho, em que os participantes se embriagavam e se entregavam apenas aos prazeres por alguns momentos. Em Roma, especificamente, também aconteciam comemorações que duravam dias com muita comida e bebida em que era comum que os senhores se vestissem de escravos e vice-versa.

Todos esses eventos podem ser relacionados com as origens do carnaval, no entanto, fica claro que eram festas extremamente mundanas e pagãs, o que em nada agradava a Igreja Católica, sobretudo a partir do momento em que ela começou a se tornar mais poderosa. A Igreja acreditava que quando as pessoas invertiam seus papéis, sugeria-se uma inversão entre Deus e Demônio.

A Igreja, ao invés de tentar proibir esse tipo de festa tentou sistematizá-la, colocando-a nos dias que antecediam a quaresma. Desse modo, as pessoas que fossem se exceder durante o carnaval, fariam isso antes de entrar no período de forte religiosidade.

A comemoração do Carnaval adquiriu diferentes formas nos países católicos que mantiveram a celebração. No Brasil, foi grande a influência do “entrudo”, uma folia feita em Portugal, onde eram comuns as brincadeiras com água.

Hoje o Carnaval encorporou na cultura e tradição católica ocidental, do ponto de vista antropológico, o carnaval é um ritual de reversão, no qual os papéis sociais são invertidos e as normas de comportamento são suspensas. Na Antiguidade, os povos consideravam o inverno como um reino de espíritos que precisavam serem expulsos para que o verão voltasse. O Carnaval pode assim ser considerado como um rito de passagem da escuridão para a luz, do inverno ao verão: uma celebração de fertilidade, a primeira festa de Primavera do novo ano.

Hoje o Carnaval passou a fazer parte da cultura brasileira, uma festa comemorativa em quase todo território brasileiro.

Folha de Cametá
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